• Não faça hoje o que pode deixar para amanhã

    Mar 4, 2015 • pessoal gestao

    Clone Trooper Deitado

    Neste post irei falar sobre gestão pessoal de tempo usando a técnica Do It Tomorrow (DIT), uma proposta de Mark Forster publicada em seu livro de mesmo nome traduzido para o português como Deixe para amanhã, o título deste post é uma provocação ao conselho pupular “Não deixe pra amanhã o que você pode fazer hoje”, que vai totalmente de encontro à proposto feita pelo autor em seu livro.

    Livro Deixe para amanhã Desde 2009 venho utilizando a técnica DIT proposta no livro de Mark Forster, é uma técnica muito simples e eficiente, tomei conhecimento dela através do post 3 alternativas para o GTD — 7 Hábitos, Deixe para amanhã e Zen To Done de autoria de Rafael Perrone em seu blog fazendoAcontecer.net.

    Neste post Rafael Perrone cita algumas alternativas ao Getting Things Done (GTD), uma técnica para organização pessoal de tempo bastante popular e também muito eficiente, ela propõe uma série de ferramentas diferentes, como lista de coisas a fazer, lista de algum dia/talvez, lista de próximas ações, e algumas outras, possui também um workflow bem elaborado para que funcione bem, isso tudo faz o GTD ter uma curva de aprendizado relativamente grande e exige um esforço mínimo de aprendizado antes de começar a ser efetiva, e foi exatamente isto que me desmotivou à utilizá-la e me fez ir em busca de alternativas.

    Assim, em 2009, cheguei ao DIT, uma técnica extremamente simples, com praticamente zero esforço de aprendizado inicial, e desde então tenho utilizado ela para gerenciar todas as minhas atividades.

    Por que eu estava à procura de técnicas para gerenciamento de tempo?

    Desde 2006 eu venho trabalhando como autônomo, gerenciando meu próprio tempo, sem patrão, sem relógio de ponto, sem fiscalização, e sem todas essas artimanhas que as empresas criam para tentar fazer seus funcionários serem eficientes. Eu precisava de algo que me tornasse de fato eficiente, algo que fizesse eu usar o tempo da melhor forma possível, caso contrário os cronogramas iriam furar, as atividades iriam ficar para depois, a procrastinação iria rolar solta, e isso iria inviabilizar minha vida como autônomo.

    Ao usar DIT consegui a eficiencia que procurava, mas é importante destacar que nenhum método ou técnica irá fazer milagres, o importante é ter disciplina e se esforçar para pôr algo em prática, qualquer método que funcione vale à pena, eu escolhi o DIT pela simplicidade, apesar de simples é preciso ter disciplina, e isto será necessário para qualquer outro método. Ler sobre o assunto ajuda bastante, e o livro de Mark Forster me ajudou muito neste sentido.

    Mas, como funciona esse método afinal?

    Lista de coisas a fazer O autor do DIT basicamente propõe uma modificação em algo já conhecido por todos nós, a famosa lista de coisas a fazer, é aquela listinha que fazemos num pedaço de papel com tudo que precisamos fazer. Ela se parece mais ou menos com a imagem ao lado.

    É uma listinha imensa, que nunca chega ao fim…

    Acredito que todos nós já fizemos uma lista semelhante a esta ao menos uma vez na vida, Mark Forster sugere que transformemos esta lista de coisas a fazer em uma lista de coisas que serão feitas, a lista de coisas a fazer tende a crescer eternamente e nunca conseguimos terminá-la, isto causa a sensação de que o trabalho nunca é concluído, e esta sensação não ajuda a melhorar ou mesmo a manter a nossa auto-estima.

    A lista de coisas que serão feitas deve ser elaborada diariamente, e não deve ser alterada ao decorrer do dia, idealmente deve ser feita com antecedência, ou ao menos antes de começar o trabalho. Não se deve adicionar itens de última hora, ou seja, aquela lista de terça-feira que planejei na segunda, não deve ser alterada durante o decorrer do dia. Ela é uma lista fechada, uma vez planejada, nada mais entra, se surgir algo novo, planeje para o dia seguinte, ou para a semana seguinte, isto vai depender da natureza da atividade e do seu planejamento pessoal.

    O objetivo é sempre começar o dia com uma lista de atividades previamente planejada, ao final do dia ela deve estar concluída, uma lista por dia, nada de transferir a lista de hoje para amanhã, isto não vai funcionar! O que costumo fazer é usar uma agenda de papel, e a cada dia na data correspondente eu anoto minhas atividades.

    Eu indico fortemente o uso da agenda de papel, com ela você pode anotar seus compromissos, reuniões, etc, e também sua lista de atividades, uma coisa está ligada à outra, se num certo dia você tem anotado uma reunião que dura a metade do dia, saberá que não poderá planejar tantas atividades nesta data, ter estas informações num mesmo lugar facilita a gestão.

    Veja por exemplo minha lista de atividades (coisas a serem feitas) do dia 05 de Fevereiro de 2015.

    Lista fechada

    Nesta lista eu marco um X ao finalizar a atividade, o objetivo de cada dia é marcar todas as atividades como finalizadas, neste dia em particular eu consegui finalizar todas elas (ufa!), o autor Mark Forster fala em seu livro dos benefícios emocionais relacionados à isto, quando conseguimos completar o dia, uma sensação de trabalho concluído, um sentimento de missão cumprida, bem diferente do que seria causado por aquela enorme lista de coisas a fazer que nunca termina.

    Nem sempre é possível finalizar todas as atividades planejadas, quando isto ocorre marco um N na atividade e planejo ela imediatamente para outro dia, assim, mesmo que não complete o planejamento diário, não perco a atividade de vista. É importante notar que isto deve ser evitado ao máximo, se perceber que está sendo constante replanejar atividades, procure descobrir o motivo, talvez você esteja colocando muitas atividades no dia, ou talvez você esteja procrastinando, se for a segunda opção, cuidado, isto é um problema sério!

    Bem, é nisso que a proposta Do It Tomorrow (DIT) se resume, uma simples lista de coisas a serem feitas (de fato) por dia, o mais importante é ter disciplina e praticar até ganhar o hábito de sempre planejar o seu dia de trabalho, e lógico, ter responsabilidade com o seu próprio planejamento e buscar cumpri-lo sempre.

    O autor Mark Forster dá uma série de dicas para conseguir chegar lá, sugiro que você leia o livro dele, mas faça isso hoje, não deixe para amanhã! rs


  • Fui diagnosticado com um tumor renal, e agora?

    Dec 31, 2014 • pessoal saude

    Wall-e sob a tomografia computadorizada

    Em 2012 fui diagnosticado com um tumor no rim esquerdo, fiz uma cirurgia e a recuperação ocorreu muito rápida e tranquila. Na época fiz uma busca superficial na internet sobre o assunto e encontrei algumas opiniões bem assustadoras, falavam em quimioterapia, radioterapia e afins. Como nada disso foi necessário em meu caso resolvi compartilhar minha experiência aqui, com o objetivo de deixar um relato positivo sobre o tratamento de tumor renal na esperança de que seja útil para alguém.

    Bem, vamos lá… 2012, fazia algum tempo que sofria com pequenas dores de estômago, ao investigar a causa descobri que estava com uma gastrite, fiz o tratamento, resolvi o problema mas as dores continuaram, vários exames depois, dentre eles uma tomografia computadorizada de abdómen, identificou um pequeno ponto no rim esquerdo, este pequeno ponto era um tumor e precisava ser removido.

    Neste momento o médico me explicou que o procedimento cirúrgico para remoção do tumor apresentava uma chance de cura de 95%, isto me deixou bastante tranquilo, me explicou que a cirurgia era simples, poderia ser feita por vídeo laparoscopia, e que a remoção do tumor no meu caso tinha grandes chances de preservar o rim, ou ao menos parte dele.

    Apesar da cirurgia ter sido um sucesso, fazer tudo isto pelo SUS não foi tarefa fácil, eu não tinha plano de saúde então o SUS era minha única alternativa. Por sorte e por ajuda de alguns médicos consegui chegar ao Hospital Aristides Maltez (HAM), ele é referência em tumores no estado Bahia e faz atendimentos 100% pelo SUS.

    O próximo passo foi conseguir marcar uma consulta, no HAM isto não é tão fácil, é muita gente para pouco “hospital”, consegui marcar a primeira consulta após esperar uma manhã inteira na fila. Consulta agendada, voltei ao hospital no dia marcado, mais um turno aguardando para ser atendido, fui atendido e a cirurgia foi marcada para um prazo de aproximadamente 15 dias.

    O grande dia chegou, em 31 de Janeiro de 2012 fui internado, a cirurgia ocorreu no dia seguinte, o nome exato do procedimento ao qual fui submetido é Ressecção de tumor retroperitoneal + linfadenectomia retroperitoneal, em algumas horas já estava de volta à enfermaria, um médico residente informou que ocorreu tudo bem e que a previsão de alta era em 48 horas. Dentro do prazo previsto recebi alta, me entregaram algumas amostras do tumor para que fosse solicitado biopsia, marquei a consulta de retorno para 2 semanas depois e fui para casa.

    Voltei para a consulta já com os resultados da biopsia em mãos, o médico disse que a cirurgia ocorreu da melhor forma possível, e que as chances de cura eram ótimas, mas o resultado da biopsia deu positivo para maligno, ou seja, o tumor era cancerígeno.

    Só neste momento eu me toquei de que tive um câncer. Adimito que sempre tive um certo medo, costumava pensar, não com tanta frequência, mas pensava o seguinte:

    Puts! Se um dia eu tiver algum tipo de câncer como é que vai ser, quimio, rádio, etc… Deve ser foda!

    E de repente eu tive um, fui curado, e quase nem percebi… Reflito sobre isto de uma maneira bem humorada e tranquila, afinal, ficar angustiado não resolveria o problema.

    Apesar disso é importante ser disciplinado e seguir as orientações médicas, cumprir os prazos planejados, e não deixar para “depois”, “depois” e “depois”. O meu caso por exemplo requer acompanhamento anual, repito todo ano exames de sangue, tomografia computadorizada de abdómen e radiografia de tórax. Os médicos dizem que casos como o meu, tumor maligno, há chances do tumor voltar, então é necessário acompanhamento para o resto da vida.

    E aqui termino este pequeno relato, desejo sorte para aqueles que estejam passando por situação parecida, tenham tranquilidade, paciência e acima de tudo fé na medicina moderna, ou em qualquer outra coisa que os tranquilize.

    Tenho certeza de que vibrações positivas ajudam bastante, e as vibrações dos meus amigos e familiares me ajudaram muito naquele momento, então aproveito este espaço para deixar registrado publicamente um agradecimento especial à todos aqueles que me desejaram sorte e que de alguma forma me enviaram suas boas vibrações.

    Obrigado!


  • Backup na nuvem com Tarsnap

    Dec 23, 2014 • tecnologia backup

    Chewbacca fazendo backup na nuvem

    Este post estava sendo escrito antes de eu abandonar meu blog, então onde estiver escrito recentemente, hoje, etc, leia-se 2 anos atrás.

    Recentemente precisei implementar uma solução de backup para alguns servidores de internet, após uma pesquisa rápida optei pelo Tarsnap, uma solução de backup em nuvem baseado na infra-estrutura de armazenamento da Amazon.

    Eu queria algo simples de implementar e manter, não queria ter mais um servidor nas mãos, nem queria ter que lidar com detalhes de ssh, rsync, ftp, etc. Em resumo:

    • Não queria manter um novo servidor (nem físico nem virtual)
    • Não queria usar o Bacula, ótima ferramenta mas complicado
    • A solução deveria ser simples de configurar e manter, do tipo “configure uma vez, contrate um serviço e funcione para o resto da vida”
    • Não estava procurando apenas uma ferramenta, mas também um serviço de armazenamento para backup

    O Tarsnap é uma ferramenta e também um serviço de armazenamento, o preço é bem razoável, $0.30 por GB de armazenamento mensal e $0.30 por cada GB transferido. A cobrança é pré-paga, e para começar a usar o serviço é necessário adicionar um crédito mínimo de $ 5.

    Os créditos são consumidos diariamente, quando eles acabam o serviço continua funcionando por até 7 dias, isto dá tempo de pôr créditos novamente sem interrupção dos backups. Hoje, o backup dos meus servidores tem aproximadamente 7 GB e isto consome um pouco menos de $ 5 mensal.

    Infelizmente, o tarsnap não é software-livre, o autor disponibiliza o código fonte, mas a licença não permite redistribuir o software com modificações. Apesar disso o autor afirma contribuir bastante com o libarchive, uma biblioteca livre para compressão e arquivamento usada como base para o tarsnap.

    Não vou detalhar o uso da ferramenta, darei apenas dois exemplos básicos: (1) como adicionar um servidor e (2) como criar backups. Considerando que você já tem o tarsnap instalado em seu servidor, veja as instruções de instalação aqui, gere uma chave para ele com o comando abaixo, se tiver dificuldades consulte este link.

    
    # tarsnap-keygen --keyfile /root/tarsnap.key --user me@example.com --machine mybox
    
    

    Substitua me@example.com pelo email usado para criar a conta no Tarsnap, e mybox pelo hostname do seu servidor. Faça uma cópia de seguança do arquivo /root/tarsnap.key, sem ele não será possível acessar o backup!

    Com isso já é possível criar um novo backup, o comando abaixo cria um backup do diretório /home por exemplo, veja outros comandos aqui.

    
    # tarsnap -c -f mybackup-home /home
    
    

    O tarsnap apenas cria, lê, apaga e restaura backups, ele não gerencia agendamento, política de retenção, periodicidade, etc. É necessário alguma outra ferramenta para essa tarefa, em uma rápida pesquisa encontrei o tarsnapper, um agendador para o tarsnap, com ele é possível de maneira simples definir uma política de retenção usando um arquivo de configuração localizado em /etc/tarsnapper.conf. Veja um exemplo:

    # fazer backup diario e reter:
    # a cada semana (7 dias)
    # a cada mes (30 dias)
    # a cada semestre (180 dias)
    
    deltas: 1d 7d 30d 180d
    
    target: /mybox/$name-$date
    
    jobs:
      etc:
        source: /etc
    
      mysql:
        source: /var/backups/mysql
        exec_before: /usr/local/bin/dump-mysql
    
      foswiki:
        sources:
          - /var/lib/foswiki/data
          - /var/lib/foswiki/pub

    O tarsnapper deve ser agendado no cron, eu sugiro executar ele diariamente, para isso crie o arquivo /etc/cron.daily/tarsnapper com o seguinte conteúdo:

    #!/bin/sh
    # Start in the root filesystem, make SElinux happy
    cd /
    
    tarsnapper -o configfile /etc/tarsnap.conf -c /etc/tarsnapper.conf make >> /var/log/tarsnapper.log 2>&1

    Dê permissão de execução a este arquivo, isto vai fazer o cron vai rodar o tarsnapper diariamente executando o tarsnap para cada job presente no arquivo de configuração. Lembrando que todos os comandos foram testados no sistema operacional Debian GNU/Linux e não há garantias que funcionem corretamente em outros sistemas.

    Com isso você tem um esquema de backup simples de implementar e manter. Espero que tenha sido útil de alguma forma, em caso de dúvidas, sugestões ou reclamações, por favor, entre em contato através do email, twitter ou se preferir atrevés do meu perfil no github.


  • Voltando a "blogar"

    Dec 18, 2014 • pessoal

    Han Solo apontando uma arma para Chewbacca

    Hoje enquanto conversava com uma amiga no telefone surgiu a seguinte pergunta:

    “Por que a gente não posta mais em nossos blogues?”

    Ao ouvir isso pensei:

    “Humn… Hâmmmn… É porque… Bem… É que…..”

    Nenhum argumento minimamente válido surgiu, ou seja, não há motivos, então aqui estou eu “blogando” novamente…

    Eu tinha um blog na rede Software Livre Brasil que não via um post desde 2010, na verdade ainda tenho, ele funciona e continuará disponível, mas vou concentar os próximos posts aqui. Mas por que eu saí do Software Livre Brasil? Na verdade não saí, meu perfil continua lá, continarei usando a rede social, e talvez até replique os posts daqui por lá. O que aconteceu foi que a pergunta “Por que a gente não posta mais em nossos blogues?” deu o empurrãozinho que faltava para eu desenrolar as seguintes questões:

    E assim aqui está mais um blog nesse mundão virtual, pretendo falar de tudo um pouco, coisas da minha vida pessoal, questões técnicas relacionadas ao trabalho, um pouco da minha experiência no meio acadêmico, música, esportes, livros, etc… Espero que seja útil para mais alguém além de mim mesmo.

    Ahhh!!! Dani, obrigado pelo empurrãozinho!